Pesquisadores de diferentes países reúnem-se na UEA em evento internacional sobre a saúde da mulher
Encontro promovido pela UDDAE/UEA reúne experiências do Brasil, Noruega, Angola e de outros países de língua portuguesa, com atenção aos desafios da saúde da mulher na Amazônia
Da Amazônia para o mundo, diferentes experiências, desafios e perspectivas sobre a saúde da mulher se conectaram em Manaus durante o II Seminário Internacional da Rede de Enfermagem em Saúde da Mulher de Países de Língua Portuguesa (RESM-LP). Com participação de pesquisadores, estudantes e profissionais do Brasil e de outros países, o encontro transformou a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em espaço de intercâmbio internacional para discutir as particularidades da saúde materna e da mulher em diferentes contextos.
Realizado de 21 a 23 de setembro, sob responsabilidade da Unidade de Desenvolvimento Docente e Apoio ao Ensino da UEA (UDDAE), o evento teve como tema “Inserção no Contexto Transcontinental” e reuniu workshops, minicursos e apresentações de trabalhos científicos. Entre os participantes, a Prof.ª Dra. Eline Skirnisdottir Vik, da Western Norway University of Applied Sciences, da Noruega, conheceu experiências brasileiras de assistência à saúde da mulher e destacou a importância da troca de conhecimentos entre os dois países.
Em sua primeira visita ao Brasil, a pesquisadora acompanhou atividades do seminário e conheceu serviços de saúde, incluindo experiências do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Para Eline, o contato com diferentes modelos de assistência ampliou perspectivas para suas pesquisas, especialmente na área de atendimento pré-hospitalar a mulheres em trabalho de parto. “Eu aprendi muito com vocês e com o sistema brasileiro. Temos muito a aprender uns com os outros”, afirmou.

A experiência também chamou a atenção da professora para iniciativas brasileiras que podem inspirar o sistema norueguês, como os bancos de leite humano e as estratégias de incentivo à amamentação. Ao conhecer relatos sobre a realidade das mulheres que vivem em áreas remotas da Amazônia, Eline também passou a observar de outra forma os desafios relacionados ao acesso aos serviços de saúde. “Precisamos entender o contexto antes de comparar as diferenças entre os países”, destacou.
O contato com a realidade amazônica também ampliou a percepção da pesquisadora sobre os desafios de acesso aos serviços de saúde. Em conversa com uma estudante de enfermagem durante o seminário, Eline conheceu relatos sobre mulheres que vivem em comunidades distantes e podem precisar passar dias viajando de barco para chegar a uma unidade de assistência ao parto.
“Na Noruega, falamos bastante sobre as distâncias porque pensamos que são um desafio. Mas a maior distância que uma mulher pode percorrer lá é de cerca de sete horas. Então, agora vou ser um pouco mais humilde sobre quais são os nossos desafios nessa área quando comparados aos da Amazônia. Às vezes, você precisa ir a algum lugar para realmente ver e ouvir, para conhecer a realidade do que está acontecendo”, afirmou.
Integração de conhecimentos
A diversidade das realidades brasileiras também foi destacada pela professora Eneida Patrícia Teixeira, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que participou do seminário representando a instituição e o projeto de cooperação internacional FeminaGlobal. Com atuação voltada à saúde da mulher e à saúde materna, a iniciativa dialoga diretamente com a temática do evento e reúne discussões desenvolvidas ao longo da cooperação e dos trabalhos realizados na área.
Para a Prof.ª Dra. Eneida, a participação no seminário possibilita aproximar pesquisadores de diferentes regiões e compreender as particularidades de cada território. “É importante a gente compreender e estudar um pouco mais essa diversidade, inclusive para incluir isso nas estratégias que conduzimos no âmbito da pesquisa, mas também nas discussões internacionais relacionadas à saúde da mulher e à saúde materna”, ressaltou.
Segundo a professora, a aproximação entre pesquisadores de estados como Santa Catarina e Amazonas evidencia realidades distintas dentro do próprio país e contribui para ampliar as discussões sobre a assistência à saúde da mulher.
A experiência de integração entre os países de língua portuguesa também foi ressaltada pela mestranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem em Saúde Pública (ProEnSP) Maria Juliana, de Angola. Há pouco mais de 30 dias no Brasil, a estudante considera o seminário uma oportunidade de fortalecer conexões entre profissionais e estudantes de diferentes países.
“Eventos como esse são importantíssimos para o processo de integração. Estando aqui no Brasil, você tem a capacidade de se conectar com o mundo. Estamos em um programa que fala de países de língua portuguesa, então você está aqui e, ao mesmo tempo, conecta Angola, Moçambique e todos os países de língua portuguesa”, disse.
Ao comparar as realidades dos sistemas de saúde dos dois países, Maria Juliana destacou as diferenças de acesso e a abrangência do Sistema Único de Saúde (SUS). Para ela, a experiência brasileira também permite refletir sobre os desafios enfrentados em territórios de grandes dimensões, como a Amazônia.
“As diferenças são abismais. O SUS e o Sistema Nacional de Saúde de Angola não têm muita diferença naquilo que é a organização, mas aqui os serviços de saúde estão disponíveis para todos. A base fundamental do SUS é que haja serviços de saúde para qualquer cidadão, independentemente das barreiras que existem, por exemplo, aqui na Amazônia, em função da localização de alguns lugares mais longínquos”, destacou.
Visão institucional
Para a coordenadora do evento e coordenadora pedagógica da UDDAE, Prof.ª Dra. Cássia Silva, a realização do seminário reafirma o compromisso da UEA com a integração internacional e com a construção de redes de conhecimento. Segundo ela, o apoio da gestão superior, do reitor André Zogahib e da vice-reitora Kátia Couceiro, tem sido fundamental para ampliar essas conexões e fortalecer experiências de cooperação acadêmica.
“É muito importante para a UEA poder receber pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes países e, ao mesmo tempo, compartilhar aquilo que produzimos a partir da realidade amazônica. Esse intercâmbio fortalece a universidade e abre novas possibilidades de pesquisa, formação e cooperação internacional”, destacou.






